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Henrique Carvalho  Alquimia da Mente ED 269

beehiiv x substack

O dono de uma plataforma atacou a outra num palco de Nova York. Eu opero na dele e ganho comissão. Sobram os números, e você confere na sua tela.

beehiiv x substack

A tela de pagamentos aberta, com a taxa em destaque

 

Antes de qualquer frase sobre plataforma, dois avisos. O texto que originou esta edição foi escrito por Tyler Denk, fundador e presidente da beehiiv, falando do concorrente dele. E eu opero minhas publicações na beehiiv e recebo comissão quando alguém entra por indicação minha. Nenhum dos dois lados é neutro. Por conta disso, a edição de hoje deixa o número argumentar sozinho, e você confere cada um na sua própria tela antes de acreditar em mim ou nele.

Denk falou na semana passada no Status Summit, em Nova York, o evento de Oliver Darcy, jornalista que saiu da CNN em 2024 e hoje toca uma publicação com mais de cem mil leitores ativos. Publicou o resumo da fala na terça. A tese dele cabe em quatro obstáculos à soberania de quem cria.

O primeiro é o feed algorítmico. Em 2018, o Facebook rebaixou conteúdo de publishers e levou junto Vice, Mic e BuzzFeed. Em 2023, o Twitter rebaixou link externo. Em 2024, o Google lançou as respostas por inteligência artificial na busca, e o clique pra sites de publishers caiu até 58%.

O segundo é a trava de saída. No Patreon, o assinante pago não migra: pra mudar de plataforma, o criador pede que cada um cancele e assine de novo com o cartão. No Substack, desde o ano passado, toda publicação é obrigada a oferecer a compra dentro do aplicativo da Apple, e a assinatura feita ali não sai com o autor.

O terceiro é a taxa, e o ponto dele é a direção. Patreon foi de 5% a até 13%. Gumroad, de 3,5% a 10%. Etsy, de 3,5% a 6,5%. Nenhuma baixou. Existem publicações pagando ao Substack mais de um milhão de dólares por ano pelo mesmo serviço de quando eram pequenas.

O quarto é a plataforma fechada, sem API nem webhook, que impede o criador de ligar a newsletter ao resto do negócio.

Quatro obstáculos, um interesse declarado de cada lado. Vamos aos números que eu tenho na mão.

Continue lendo. ↓

 
 
 
 

I  O Que Eu Vi

A taxa sobre o que você já vendeu

 

Eu tenho os números da minha própria operação, e eles dizem mais do que a apresentação do Denk.

Na beehiiv, a assinatura paga não paga taxa à plataforma. No Substack, paga 10% mais os 4% do processador de cartão. Uma newsletter paga do meu ecossistema vendeu R$ 495.000 ao longo da vida. A 14%, o pedágio seria R$ 69.300, cobrado sobre venda já feita, sem serviço a mais. É o valor de um carro, retirado de uma lista que eu construí sozinho.

A outra rota, o anúncio dentro da edição, é a que sustenta a maior parte da minha rede. Neste ano, até hoje, as minhas publicações aprovaram US$ 5.822 na rede de anúncios da plataforma, em 96 publicações, e a curva subiu de US$ 7 em maio pra US$ 2.121 em agosto. O Substack não tem rota equivalente. Quem quer anunciante lá negocia sozinho, por email, uma edição de cada vez, e paga a negociação em horas.

Fiz o teste do outro lado também. Desde 27 de julho, esta newsletter tem uma cópia no Substack, publicada todo dia por script. A plataforma não tem interface de escrita para programas: quem automatiza usa a mesma via interna do editor, com teto de uma requisição por segundo e sem garantia de que continue funcionando amanhã. É o quarto obstáculo do Denk sentido na mão, e ele custou dias de trabalho antes de rodar.

Os números do próprio Denk merecem a mesma desconfiança que eu pedi pros meus. Ele diz que perto de 17 mil criadores já receberam dinheiro na plataforma dele: US$ 40 milhões em assinatura e mais de US$ 20 milhões vindos da rede de anúncios. São números de palco, sem auditoria externa, e eu os cito pelo que valem: uma ordem de grandeza, contada por quem tem interesse em contá-la grande.

“O futuro da mídia é aberto, sem taxa sobre receita, sem trava de saída e sem feed algorítmico.”

Tyler Denk · Big Desk Energy, 2026

 

A frase é de quem vende o produto. Ela entra depois dos números, nunca antes.

Quem cobra taxa sobre a sua receita é sócio do seu sucesso sem ter assinado o contrato.

 
 
 

II  O Mecanismo

A taxa cobra o sucesso, a trava cobra a saída

 

Toda plataforma precisa ser paga, e existem dois jeitos. O preço fixo cobra pelo serviço: você paga o mesmo com 500 ou com 50.000 leitores. A taxa cobra pelo sucesso: quanto mais você vende, mais a plataforma leva, sem entregar mais.

O modelo de taxa tem uma propriedade que o Denk chamou pelo nome e os três exemplos confirmam: ela só sobe. O motivo é simples. Quando a plataforma precisa de receita, subir a taxa custa uma linha de código e um email. O criador que já tem os assinantes lá dentro reclama e fica, porque sair custa mais do que a diferença.

E aí entra a segunda peça, que é a que mais importa. A trava de saída transforma a taxa em cobrança vitalícia. Se a assinatura paga não migra, o criador não tem como responder ao aumento. Ele pode reclamar, e só. A compra pela Apple no Substack fecha a porta: a assinatura passa a pertencer ao aplicativo, e o autor, que trouxe o leitor, não leva o leitor embora.

O Substack tem uma vantagem real, e ela merece a frase inteira. A própria empresa diz que perto de 40% das assinaturas novas nascem dentro da rede de recomendação dela, de um autor pra outro. É uma rede social pra quem escreve, e como rede social funciona. A pergunta é o preço do ingresso, e se a porta de saída existe.

E existe um caso em que o Denk perde o argumento, e é honesto dizer qual. Uma publicação pequena, com 300 assinantes pagos e nenhuma outra fonte de leitor, pode ganhar mais com a rede de recomendação do Substack do que perde nos 14%. Nessa fase, a taxa compra distribuição. O problema aparece quando a lista cresce e a distribuição deixa de vir de dentro: a taxa continua, o serviço é o mesmo, e a porta já fechou. Quem entra sabendo do prazo de validade entra melhor.

Nota do HC

Escolhi a plataforma cedo, quando esta newsletter tinha poucos leitores, e a escolha valeu mais pelo que veio depois do que pelo que eu sabia na hora. Cada função que precisei ligar ao longo desses anos, segmentação, automação, produto digital, anúncio, API, estava na mesma casa, e a taxa sobre receita continua zero. O que eu conferi antes de decidir foi uma pergunta só: a lista sai comigo, com o pagamento junto?

 

Repare que a pergunta da Nota não fala de preço, de design nem de facilidade. Fala de posse. Plataforma boa é a que você consegue abandonar sem perder o que construiu, e por consequência nunca precisa abandonar. A que prende é a que precisa prender, porque sabe que o serviço, sozinho, não seguraria ninguém.

 

Quem banca a edição de hoje

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We’ve driven over $10M in revenue for our newsletter clients and are unpacking the plug-and-play system thousands of people are using to turn a small email list into $2k-$10k/month.

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Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Que Eu Faria

Duas telas, uma multiplicação

 
Henrique Carvalho ao ar livre, entre colunas antigas

O piano antes da edição, ritual de todo dia

 

Primeiro, a tela de pagamentos. Abra as configurações da sua plataforma e encontre a taxa sobre assinatura. Some a taxa do processador de cartão. Escreva o total num papel, com o sinal de porcentagem.

Segundo, a multiplicação. Pegue R$ 1.000 de assinatura por mês, ou o valor que você pretende alcançar, e aplique o total. O resultado é o que fica na plataforma todo mês, pra sempre, sem serviço a mais. Escreva ao lado do primeiro número.

Terceiro, a tela de exportação. Procure onde a lista sai. Depois procure se a assinatura paga sai junto, com o cartão do leitor. Se a resposta for "o leitor precisa assinar de novo", você achou a trava. Anote a resposta em uma palavra: sim ou não.

Quarto, a rota de anúncio. Se a plataforma não tem rede de anunciantes, escreva quanto tempo você gasta por mês negociando patrocínio à mão. É custo também, na moeda que mais falta pra quem escreve todo dia.

Um aviso sobre o quarto número: ele costuma ser o mais subestimado. Quem negocia patrocínio por email gasta, em média, uma tarde por anunciante entre proposta, ajuste de preço, aprovação de criativo e cobrança. Três anunciantes por mês são três tardes que não viraram edição. A rede de anúncios cobra por esse trabalho de outro jeito, ficando com parte do valor, e a diferença entre as duas cobranças é a sua hora.

Quinto, a leitura dos quatro números juntos. Taxa, valor retido, porta de saída, horas de negociação. Quem tem zero, zero, sim e poucas horas está no lugar certo, e a edição de hoje serve só de confirmação. Quem tem qualquer outra combinação tem uma decisão a tomar, e o tamanho da lista decide o preço da decisão.

Hoje: descubra quanto de cada R$ 1.000 fica na plataforma e se a assinatura paga sai com você. Duas telas, dez minutos. Se o número for zero e a resposta for sim, você está no lugar certo. Se não for, você tem uma decisão a tomar antes de ter 50.000 leitores, porque depois ela custa mais.

 

“A taxa cobra o seu sucesso. A trava cobra a sua saída.”

Henrique Carvalho

Forte abraço,

Henrique Carvalho

🎹 Escrevi esta edição ouvindo Mad World, no piano.

 

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🧠 Quiz da edição

Segundo Tyler Denk, o que a obrigação de vender pelo aplicativo da Apple muda pra quem publica no Substack?

AO preço mínimo da assinatura sobe
BA assinatura feita ali não sai com o autor se ele trocar de plataforma
CO autor perde o direito de mandar email
DA Apple passa a escolher os assuntos da publicação

Resultado da última edição: 22% acertaram.

Defenda seu título de Alquimista (3 acertos seguidos garantem o primeiro).

 
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