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beehiiv x substack
O dono de uma plataforma atacou a outra num palco de Nova York. Eu opero na dele e ganho comissão. Sobram os números, e você confere na sua tela.
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A tela de pagamentos aberta, com a taxa em destaque
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Antes de qualquer frase sobre plataforma, dois avisos. O texto que originou esta edição foi escrito por Tyler Denk, fundador e presidente da beehiiv, falando do concorrente dele. E eu opero minhas publicações na beehiiv e recebo comissão quando alguém entra por indicação minha. Nenhum dos dois lados é neutro. Por conta disso, a edição de hoje deixa o número argumentar sozinho, e você confere cada um na sua própria tela antes de acreditar em mim ou nele.
Denk falou na semana passada no Status Summit, em Nova York, o evento de Oliver Darcy, jornalista que saiu da CNN em 2024 e hoje toca uma publicação com mais de cem mil leitores ativos. Publicou o resumo da fala na terça. A tese dele cabe em quatro obstáculos à soberania de quem cria.
O primeiro é o feed algorítmico. Em 2018, o Facebook rebaixou conteúdo de publishers e levou junto Vice, Mic e BuzzFeed. Em 2023, o Twitter rebaixou link externo. Em 2024, o Google lançou as respostas por inteligência artificial na busca, e o clique pra sites de publishers caiu até 58%.
O segundo é a trava de saída. No Patreon, o assinante pago não migra: pra mudar de plataforma, o criador pede que cada um cancele e assine de novo com o cartão. No Substack, desde o ano passado, toda publicação é obrigada a oferecer a compra dentro do aplicativo da Apple, e a assinatura feita ali não sai com o autor.
O terceiro é a taxa, e o ponto dele é a direção. Patreon foi de 5% a até 13%. Gumroad, de 3,5% a 10%. Etsy, de 3,5% a 6,5%. Nenhuma baixou. Existem publicações pagando ao Substack mais de um milhão de dólares por ano pelo mesmo serviço de quando eram pequenas.
O quarto é a plataforma fechada, sem API nem webhook, que impede o criador de ligar a newsletter ao resto do negócio.
Quatro obstáculos, um interesse declarado de cada lado. Vamos aos números que eu tenho na mão.
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I O Que Eu Vi
A taxa sobre o que você já vendeu
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Eu tenho os números da minha própria operação, e eles dizem mais do que a apresentação do Denk.
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Na beehiiv, a assinatura paga não paga taxa à plataforma. No Substack, paga 10% mais os 4% do processador de cartão. Uma newsletter paga do meu ecossistema vendeu R$ 495.000 ao longo da vida. A 14%, o pedágio seria R$ 69.300, cobrado sobre venda já feita, sem serviço a mais. É o valor de um carro, retirado de uma lista que eu construí sozinho.
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A outra rota, o anúncio dentro da edição, é a que sustenta a maior parte da minha rede. Neste ano, até hoje, as minhas publicações aprovaram US$ 5.822 na rede de anúncios da plataforma, em 96 publicações, e a curva subiu de US$ 7 em maio pra US$ 2.121 em agosto. O Substack não tem rota equivalente. Quem quer anunciante lá negocia sozinho, por email, uma edição de cada vez, e paga a negociação em horas.
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Fiz o teste do outro lado também. Desde 27 de julho, esta newsletter tem uma cópia no Substack, publicada todo dia por script. A plataforma não tem interface de escrita para programas: quem automatiza usa a mesma via interna do editor, com teto de uma requisição por segundo e sem garantia de que continue funcionando amanhã. É o quarto obstáculo do Denk sentido na mão, e ele custou dias de trabalho antes de rodar.
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Os números do próprio Denk merecem a mesma desconfiança que eu pedi pros meus. Ele diz que perto de 17 mil criadores já receberam dinheiro na plataforma dele: US$ 40 milhões em assinatura e mais de US$ 20 milhões vindos da rede de anúncios. São números de palco, sem auditoria externa, e eu os cito pelo que valem: uma ordem de grandeza, contada por quem tem interesse em contá-la grande.
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“O futuro da mídia é aberto, sem taxa sobre receita, sem trava de saída e sem feed algorítmico.”
Tyler Denk · Big Desk Energy, 2026
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A frase é de quem vende o produto. Ela entra depois dos números, nunca antes.
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Quem cobra taxa sobre a sua receita é sócio do seu sucesso sem ter assinado o contrato.
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II O Mecanismo
A taxa cobra o sucesso, a trava cobra a saída
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Toda plataforma precisa ser paga, e existem dois jeitos. O preço fixo cobra pelo serviço: você paga o mesmo com 500 ou com 50.000 leitores. A taxa cobra pelo sucesso: quanto mais você vende, mais a plataforma leva, sem entregar mais.
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O modelo de taxa tem uma propriedade que o Denk chamou pelo nome e os três exemplos confirmam: ela só sobe. O motivo é simples. Quando a plataforma precisa de receita, subir a taxa custa uma linha de código e um email. O criador que já tem os assinantes lá dentro reclama e fica, porque sair custa mais do que a diferença.
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E aí entra a segunda peça, que é a que mais importa. A trava de saída transforma a taxa em cobrança vitalícia. Se a assinatura paga não migra, o criador não tem como responder ao aumento. Ele pode reclamar, e só. A compra pela Apple no Substack fecha a porta: a assinatura passa a pertencer ao aplicativo, e o autor, que trouxe o leitor, não leva o leitor embora.
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O Substack tem uma vantagem real, e ela merece a frase inteira. A própria empresa diz que perto de 40% das assinaturas novas nascem dentro da rede de recomendação dela, de um autor pra outro. É uma rede social pra quem escreve, e como rede social funciona. A pergunta é o preço do ingresso, e se a porta de saída existe.
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E existe um caso em que o Denk perde o argumento, e é honesto dizer qual. Uma publicação pequena, com 300 assinantes pagos e nenhuma outra fonte de leitor, pode ganhar mais com a rede de recomendação do Substack do que perde nos 14%. Nessa fase, a taxa compra distribuição. O problema aparece quando a lista cresce e a distribuição deixa de vir de dentro: a taxa continua, o serviço é o mesmo, e a porta já fechou. Quem entra sabendo do prazo de validade entra melhor.
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Nota do HC
Escolhi a plataforma cedo, quando esta newsletter tinha poucos leitores, e a escolha valeu mais pelo que veio depois do que pelo que eu sabia na hora. Cada função que precisei ligar ao longo desses anos, segmentação, automação, produto digital, anúncio, API, estava na mesma casa, e a taxa sobre receita continua zero. O que eu conferi antes de decidir foi uma pergunta só: a lista sai comigo, com o pagamento junto?
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Repare que a pergunta da Nota não fala de preço, de design nem de facilidade. Fala de posse. Plataforma boa é a que você consegue abandonar sem perder o que construiu, e por consequência nunca precisa abandonar. A que prende é a que precisa prender, porque sabe que o serviço, sozinho, não seguraria ninguém.
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