Escreva somente depois de outros 4 passos
Hoje sigo um método de cinco etapas. Chamo de IDEIA, e cada letra é um passo.
I de incubação: a fase de pesquisa. Anoto tudo que me interessa sobre o tema.
Entram o repertório, que são as anotações do passado, e a pesquisa, que é a coleta de fora, guiada pela curiosidade.
D de distribuição: hora de distribuir e organizar o que anotei.
E de estruturação: crio a estrutura do texto, os tópicos que vou desenvolver. Estruturar é decidir o que sai da pesquisa e do repertório, e ordenar os cabeçalhos.
I de iluminação: o momento “aha”, quando acho a espinha dorsal do texto. A estrela do norte que guia o caminho.
A de ação: escrever, revisar, publicar. E não ter medo de alguém julgando.
Perceba: só começo a escrever no quinto passo.
Quatro passos sem teclado. Parece lento, e é o contrário: uma boa estrutura é o que permite escrever rápido e com qualidade.
Na hora de escrever, divido a tela em duas janelas. Na esquerda ficam as notas de preparação: a estrutura do texto e as referências que quero abordar.
Na direita, o rascunho que vai se tornar a versão final.
Há uma certa paz em olhar para a esquerda e ver as anotações do passado. E na direita, o presente criando o texto que será publicado no futuro.
Quando você segue uma estrutura planejada, com boas referências, escrever se torna um processo criativo de encontrar boas palavras para preencher o texto.
Para o autojulgamento, o remédio é mais simples e mais difícil. Desligo o corretor ortográfico. Não quero qualquer tipo de julgamento enquanto escrevo.
Escrever é criatividade. Revisar é lógica. No rascunho me permito escrever qualquer frase, e a lapidação fica para a revisão.
Nenhum texto nasce brilhante no rascunho. Ele se torna brilhante na revisão.
O meu rascunho de hoje nasce feio de propósito. Amanhã, com outro olho, ele ganha a lapidação. O rascunho feio é a parte do método que mais assusta e a que mais liberta.
O resto do ritual serve para proteger o foco. Uma playlist de concentração no repeat. Um editor de texto sem menu, sem nada na tela além das palavras.
Aciono um temporizador de cinquenta e cinco minutos. O celular, em vez de me chamar, fica me gravando em timelapse.
Sei o tamanho da minha distração. Uma mosca passando no quarto vira uma preocupação. Se não for atrás dela, a frase seguinte não sai.
Então tiro da sala tudo que zumbe. Inclusive a agenda das outras pessoas, que entra pelo celular na primeira hora do dia se você deixar.
Nada disso é talento. É preparação. Quando o jogador entra em campo, o treino já aconteceu.
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