Quanto Mais Máquinas Escrevem, Mais Caro Fica Ser Humano

🍊Alquimia da Mente – Edição #140

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🎹 Leia essa edição me ouvindo tocar: Legião Urbana - Tempo Perdido

Louis Daguerre

Em 1839, Louis Daguerre apresentou ao mundo a primeira fotografia comercial.

A reação dos artistas foi imediata.

Paul Delaroche, um dos pintores mais respeitados da França, olhou para aquela imagem perfeita e declarou:

"A partir de hoje, a pintura está morta."

Fazia sentido. Para que pintar um retrato durante semanas se uma máquina capturava a realidade em segundos?

Para que pagar um artista se a fotografia entregava precisão absoluta, sem pinceladas tortas, sem cores fora do lugar?

Os pintores entraram em pânico. Salões de Paris esvaziaram. Artistas quebraram pincéis.

Até que algo inesperado aconteceu.

Libertados da obrigação de copiar a realidade, os pintores fizeram o que nenhuma câmera poderia fazer.

Monet borrou a imagem de propósito. Inventou o Impressionismo. Van Gogh distorceu o céu até ele gritar. Pintou o que sentia, não o que via. Picasso destruiu a forma humana e a reconstruiu com cubos.

A fotografia não matou a pintura.

Fez a pintura valer mais do que nunca.

Porque quando a máquina resolve o problema técnico, sobra para o humano resolver o problema que importa: o da alma.

Hmm... essa história soa familiar?

Deveria.

Porque estamos vivendo exatamente o mesmo momento. Só que agora não são pintores contra câmeras.

São escritores contra algoritmos.

A inteligência artificial aprendeu a escrever artigos, legendas, newsletters, scripts. Qualquer texto, em qualquer tom, em 3 segundos.

E a pergunta que todo criador de conteúdo está se fazendo é a mesma que Delaroche fez em 1839:

"Para que escrever se a máquina escreve?"

A resposta está nos 187 anos que vieram depois.

A máquina nunca mata o artista. Mata o artesão que já estava copiando uma máquina sem saber.

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