Vou só trancar, disse aos meus pais
Para os meus pais, disse que ia só trancar um semestre. Para pensar melhor.
Por dentro, já estava decidido. Não tinha volta. Não era uma situação negociável.
A família foi contra. Extremamente contra.
Os amigos falavam: “Se você for preso, não vai ter cela especial.” Se o motivo para ficar quatro anos numa faculdade é uma cela especial, o que você está fazendo lá?
Virei a ovelha negra. Nos encontros de família, a pergunta era sempre a mesma: “E aí, quando você vai arrumar um trabalho?” “Esse site aí não é sério.”
Os amigos diziam que era maluquice. Volta para a faculdade, arruma um emprego, faz um estágio. Qualquer trabalho que não fosse ficar sentado na frente do computador.
Minha avó, doce como ela só, durante anos me dizia, com a maior seriedade: “Meu neto, se tudo der errado, você pode trabalhar como pedreiro aqui na cidade.”
E perguntava quando o diploma ia sair. “Vó, não vai sair.”
É difícil ouvir tudo aquilo quando você ainda não tem resultado. Você diz que tem convicção. Não consegue garantir que vai dar certo.
Fazia faculdade sem gostar e escrevia no blog havia três anos sem ganhar um centavo. Queria viver de escrita e não sabia como.
Toda noite era um pesadelo pensando em como ganhar dinheiro escrevendo.
Em 2011, divulguei o ebook de um amigo como afiliado. Em cinco dias, ganhei o que os amigos ganhavam em seis meses de estágio.
Abriu os olhos. Passei três meses montando o meu.
Larguei de vez em 2012, depois de quatro anos me arrastando.
Quando saí, o blog já tinha virado um ebook de investimentos, lançado em março daquele ano. E o ebook já pagava as contas.
Ser o estranho no ninho dói. Gente próxima julga, desacredita, diz qual é o caminho certo. E muitas vezes você percorre o seu sozinho.
As duas cenas daquele dia me ensinaram o mesmo, por caminhos opostos.
O professor me ensinou com quem não aprender: com quem só leu sobre o assunto. Jobs me ensinou a não esperar o incentivo dos outros.
Seja o primeiro a acreditar no seu sonho. Ninguém vai acreditar antes de você. A autoconfiança é o maior bem de quem segue um caminho fora do tradicional.
Escrevi “Stay hungry, stay foolish” no mural da minha mesa. E, a partir do dia em que larguei a faculdade, comecei a estudar o que torna um conteúdo memorável.
A escolha de com quem aprender virou critério para tudo o que fiz depois. Quem me ensina precisa operar o que ensina.
Vale até para quem contrato. Em nenhuma entrevista perguntei a formação de alguém. Procuro atitude.
Hoje, a sua parte. Liste de quem você está aprendendo agora. Ao lado de cada nome, uma pergunta só: essa pessoa opera ou só leu?
Ao lado de quem opera, escreva o que a pessoa fez na última semana. Se não souber, pergunte. Quem opera adora contar.
Se a lista tiver só nomes de quem leu, você está na aula de derivativos. Procure um corredor.
Quem só leu responde “não faço ideia” na hora em que você mais precisa.
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