Primeiro o fim: o que eu queria que acontecesse
A redação da escola ensina introdução, desenvolvimento e conclusão. E manda escrever nessa ordem.
Conteúdo na internet não funciona de forma tão linear. Não conheço uma pessoa que não tenha se perdido no meio do texto. Começa com uma ideia, e no meio vira outra.
A gente aprende do jeito que nos passaram, e raramente é o jeito mais efetivo. Falta método, falta tempo, falta experiência. Com prática, você descobre a forma otimizada.
Então, na hora de planejar, começo pelo final. Depois o início. Depois o meio.
Você não vai escrever nessa ordem. Vai pensar nessa ordem.
É que nem um filme. Um filme sempre começa do final, vai para o início, depois para o meio. Sem o final, o roteirista se perde no segundo ato.
A forma errada de estruturar é a da escola: início, meio, fim. A forma certa é fim, início, meio.
Quando você não sabe onde o texto vai terminar, é fácil se perder no caminho. E então precisa recalcular a rota toda vez que se desvia do trajeto.
O GPS da escrita é como o Waze para o seu texto. Sabendo onde deseja chegar e o ponto de partida, ele dá o caminho mais rápido para você não se perder.
Penso na estrutura como uma pirâmide de cinco andares. Um texto, uma única ideia. O GPS da escrita. Título magnético. Introdução poderosa. Conclusão inevitável.
O GPS é o segundo andar. Sem ele, os três de cima não param em pé.
Vale para artigo, email ou página de vendas. Muda o que você escreve. A pergunta é a mesma: para onde quero levar a pessoa?
O fim de um texto é uma ação. Para qual página quero levar a pessoa? O que quero que ela pense, comente, compartilhe, salve?
Quando o texto começa aleatório e no final você encaixa um pedido, ele não fica ligado a nada. O leitor sente a costura.
O fim também decide o tom. Um texto que termina numa pergunta ao leitor não pode começar dando aula. Ele precisa começar numa cena.
No “Recuperação”, o fim estava claro antes de qualquer frase.
Eu queria que as pessoas comentassem e compartilhassem uma ideia: quem está de recuperação é o sistema de ensino.
A mesma salinha de duzentos anos atrás, com um professor na frente explicando. Duzentos anos depois, a mesma imagem.
E uma pergunta na última linha, para devolver o texto a quem lê: “Qual é a recuperação que você precisa fazer na sua vida?”
Com o destino marcado, dava para escolher o ponto de partida.
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