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R$ 27 na porta decide se o anúncio se paga
Um produto barato na entrada pode pagar o clique inteiro, ou pode esconder um prejuízo que cresce a cada venda.
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Uma nota de 20 e uma de 5 sobre o balcão
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Escolhida na cédula de setembro pelos leitores.
Em 2007, Kristina Shampanier, Nina Mazar e Dan Ariely, pesquisadores do MIT, puseram dois chocolates numa mesa de refeitório: uma trufa Lindt por 15 centavos de dólar e um Hershey's Kiss por 1 centavo. A maioria escolheu a trufa. Quando os dois preços caíram 1 centavo, a trufa para 14 e o Kiss para zero, a maioria passou a levar o Kiss.
Um centavo virou a decisão de cabeça para baixo. O chocolate era o mesmo, a fome era a mesma, o intervalo de preço seguia cravado em 14 centavos.
O experimento saiu publicado na revista Marketing Science e entrou no livro Previsivelmente Irracional, do Ariely, em 2008. Desde então, todo mundo que vende algum produto na internet aprendeu a lição pela metade: preço baixo puxa gente.
A metade que falta é a conta.
Quem compra anúncio para vender um produto de entrada barato, um ebook, um guia, uma aula gravada, costuma olhar para o número errado. Olha quantas pessoas compraram. Comemora o volume. E só descobre no fim do mês, quando a fatura do cartão chega, que cada venda custou mais do que trouxe.
O produto de R$ 27 tem uma função precisa no funil (o caminho que o desconhecido percorre até virar cliente). Ele existe para pagar o anúncio que trouxe o comprador. Se paga, todo leitor que entra na sua lista por essa porta chegou de graça, e o que ele comprar depois é lucro limpo. Se não paga, você está alugando atenção no cartão de crédito e chamando o aluguel de crescimento.
O tema veio de vocês. Na cédula de setembro, a pergunta mais votada foi justamente esta: quanto precisa entrar na porta para o tráfego pago se sustentar sozinho.
A resposta cabe em três linhas de planilha, e a maioria dos criadores nunca escreveu nenhuma delas. Hoje eu monto as três com você, mostro onde a conta costuma quebrar e digo o que eu mediria antes de pôr mais um real em anúncio.
Continue lendo. ↓
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I O Que Eu Vi
O comprador de R$ 27 custa quanto
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Toda campanha paga produz um número que o painel do Meta mostra sem esforço: o custo por compra. Você investiu R$ 400 num dia, entraram 10 vendas, cada comprador custou R$ 40.
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Agora coloque o preço da porta embaixo desse número. Produto de R$ 27, comprador de R$ 40. Faltam R$ 13 por venda, e a falta cresce junto com o volume. Cem vendas no mês são R$ 1.300 saindo do seu bolso para que cem pessoas leiam um ebook.
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Muita gente para aqui e conclui que produto barato não funciona. A conclusão está errada, porque a conta está incompleta. A receita de um comprador raramente é só o preço da porta.
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A primeira linha da planilha é o custo por comprador. A segunda é a receita por comprador, somando tudo que ele leva no mesmo carrinho. A terceira é a subtração das duas. Quando a terceira linha dá zero ou positivo, o mercado chama a oferta de autoliquidável (self-liquidating offer, a oferta que devolve o próprio custo de aquisição).
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Repare que a meta da porta é pagar o clique. Lucro grande no produto de entrada é bônus raro e, quando aparece, costuma ser sinal de que o preço podia estar mais alto ou o anúncio está barato por sorte de temporada.
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“O único propósito da publicidade é fazer vendas. Ela é lucrativa ou não de acordo com as vendas que produz.”
Claude C. Hopkins · Scientific Advertising, 1923
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Hopkins escreveu a frase cem anos atrás, quando a medição era um cupom recortado do jornal e devolvido pelo correio com um código de anúncio. Ele testava título contra título pelo número de cupons que voltavam. O painel ficou mais bonito desde então. A disciplina continua a mesma: a venda medida, de volta, pagando o espaço comprado.
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O preço de R$ 27 nunca é uma escolha de produto: é uma meta de engenharia para pagar o clique.
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II O Mecanismo
Onde a conta de R$ 27 fecha
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A receita por comprador cresce com três peças que vêm depois do botão de pagar.
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A primeira é o order bump (a caixinha marcável no checkout que acrescenta um item complementar antes de finalizar). Um bump de R$ 17 aceito por 3 em cada 10 compradores acrescenta R$ 5,10 à média de cada venda. Os números aqui são uma simulação minha, para enxergar a mecânica; a sua taxa real sai do seu checkout.
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A segunda é o upsell (a oferta maior apresentada logo depois da compra, na página de obrigado). Um upsell de R$ 97 aceito por 1 em cada 10 compradores acrescenta R$ 9,70.
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Some as três peças: R$ 27 da porta, R$ 5,10 do bump, R$ 9,70 do upsell. A receita média por comprador sobe para R$ 41,80. O comprador custou R$ 40. A terceira linha da planilha ficou positiva em R$ 1,80, antes da taxa do gateway (a empresa que processa o cartão) e do imposto, que você precisa descontar na sua versão.
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R$ 1,80 parece pouco. É o número mais importante do negócio, porque significa que o anúncio virou uma máquina de trazer leitor sem custo. Você pode dobrar o orçamento amanhã sem dobrar o prejuízo, e cada comprador entra na lista com o endereço e a primeira compra já feita.
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A terceira peça vale mais que as duas primeiras somadas: o que o comprador faz nos meses seguintes. Quem pagou R$ 27 já atravessou a barreira mais cara da relação, a de digitar o cartão para você. A pessoa que compra uma vez compra de novo com muito mais facilidade que um estranho, e ela agora recebe o seu email todo dia.
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Nota do HC
Eu desconfio de quem me mostra um funil com lucro gordo no produto de R$ 27. Quase sempre o anúncio está barato por um motivo que não vai durar, ou a conta esqueceu a taxa e o reembolso. Prefiro a porta que empata com folga pequena e uma lista que cresce sozinha, porque o empate aguenta a próxima alta do leilão e o lucro gordo não aguenta.
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O risco mora na direção oposta. Quando o custo por comprador sobe, e ele sobe a cada temporada de leilão disputado, a folga de R$ 1,80 some em uma semana. Por esse motivo a conta se refaz toda segunda-feira, com o número real da semana anterior, nunca com a média otimista do mês bom.
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Quem refaz a conta toda semana percebe a quebra quando ela custa R$ 50, e não quando já custou R$ 5.000.
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