Nasce um escritor
Troquei pessoas por livros.
Com sete anos comecei a ler muito, porque já não queria tanto contato. Lá em casa a gente sempre comprava revistinha da Turma da Mônica.
Eu e meu irmão líamos muito, muito, muito, e ficávamos conversando sobre as histórias. Devorei centenas de quadrinhos.
Ler me trazia paz, prazer e sabedoria. Era um convite para me perder no mundo das palavras, sem ninguém olhando.
E um dia veio a pergunta que me trouxe até aqui: “Se é tão bom ler, como deve ser o outro lado: escrever?”
Se ler me fazia sentir algo tão bom, como seria escrever as histórias que causam esse sentimento nas outras pessoas?
Comecei a rascunhar ideias no papel. Aos quinze, meu pai nos presenteava com livros de filosofia. (valeu pai! Hoje entendo a importância deles)
Na escola, por causa da leitura, virei destaque nas aulas de redação. No vestibular, praticamente gabaritei.
Aos dezoito, lia em torno de 50 livros por ano, quase todos em inglês. Estudava investimentos, que era o que via meu pai fazendo.
Escrevia em fóruns sobre a minha jornada investindo o pouco dinheiro de universitário. Ganhei seguidores, curtidas e comentários.
Quando completei 21 anos, em 28 de maio de 2009, me dei de presente o meu primeiro blog: o HC Investimentos.
Escrevia toda semana. No começo, liam família, amigos e os curiosos do fórum.
A página era o único palco onde ninguém entra na hora errada, porque quem decide a hora de abrir a cortina é quem escreve.
A escrita traz uma clareza que é difícil a fala trazer. Você pensa no que quer dizer. Na revisão, julga o que escreveu e vê onde não foi tão claro quanto queria.
É um processo meditativo. É você consigo mesmo, sem interferência, sem ficar tão exposto ao mundo.
Demorei anos para entender que tinha feito a troca certa pelo motivo errado. O motivo era fugir da plateia.
A troca me deu a habilidade que sustenta tudo o que construí depois: o ebook, a página de vendas, o curso e esta carta, que chega na sua caixa todos os dias.
Cheguei a testar o outro lado. Fiz dois eventos, com duzentas pessoas na sala, só porque vi outros fazendo...
Foi até bom conectar com alunos. Mas logo vi que não era a minha praia. Se sou bom na escrita, deixa eu escrever um webinário, uma página de vendas, uma sequência de email.
Não preciso ser igual ao extrovertido que faz dancinha na internet. Para uns, o prêmio é a luz do palco. Para outros, a luz da escrivaninha.
Dói escrever esta frase, mas não escolhi escrever porque era corajoso. Escolhi porque era o lugar onde o medo me deixava entrar.
E a página fez uma gentileza que o palco nunca fez: ela me deixou errar em silêncio, apagar, tentar de novo, e só abrir a cortina quando a frase estava pronta.
|