Você faz o que sabe ou o que está na moda?

Tem uma coisa que você faz bem. Que funcionava. E que você largou pra correr atrás do que tá todo mundo fazendo.
Não precisa me responder. Só repara que você sabe exatamente qual é.
Ardeu, né?
Eu sei porque eu fiz a mesma coisa. Só que a minha versão custou cento e vinte mil reais.
São onze e pouco da noite enquanto eu escrevo isto, e essa é a carta que eu queria ter recebido antes de subir num palco que ninguém me pediu pra subir.
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A cena que custou cento e vinte mil
Deixa eu te levar pra dentro da cena, porque o detalhe é o que dói.
A sala tava cheia. O aplauso, sincero. As fotos, lindas, daquelas de plateia em pé que ficam ótimas no story.
E eu não vendi nada ali. Nem um programa. Zero.
Como é que um cara que vende por escrito há mais de dez anos foi parar montando evento presencial? Boa pergunta. Eu também me fiz ela. Tarde demais.
A resposta tem nome, e eu vou te apresentar a ele agora, porque ele te visita também: o espelho do mercado.
O espelho do mercado é aquela voz que te faz decidir olhando pro lado, nunca pra dentro. "Evento é o novo diferencial", ele sussurra. "Todo mundo tá fazendo imersão, encontro, experiência." E você, que tava indo bem no seu canto, levanta a cabeça, olha pros outros, e pensa: eu preciso estar nessa.
Eu olhei. Eu quis a foto. Montei tudo, estrutura, equipe, tráfego, produção. Três meses da minha vida apontados pra uma única noite.
O espelho do mercado nunca te pergunta no que você é insuperável. Só te mostra o que está em alta.
E aí mora a armadilha. "No que eu sou insuperável?" e "o que está funcionando pros outros?" são perguntas diferentes. Uma te leva pra casa. A outra te leva pro palco errado.
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Três meses, cento e vinte mil, zero
Deixa eu ser cruel com os números, porque eles doem mais que qualquer adjetivo que eu inventasse.
Três meses de venda. Cento e vinte mil reais investidos. Zero programa vendido no evento.
Pá.
Esse é o tipo de conta que tira o sono. Encher sala presencial é muito mais difícil que vender online. Vender curso é muito mais fácil que vender evento. O espelho do mercado não te conta isso. Ele só mostra a foto bonita de quem deu certo, nunca a planilha de quem quebrou tentando.
E aqui eu preciso te dar o nome da coisa, porque é ele que explica tudo.
Toda vez que você faz algo porque está na moda, e não porque você é insuperável naquilo, você paga um pedágio escondido. Eu chamo de o imposto da moda.
O imposto da moda é a diferença brutal entre o esforço que você gasta e o resultado que você tira quando trabalha fora da sua maestria. Ele come o seu esforço por dentro, feito cupim no batente: por fora a casa parece de pé, até o dia em que a porta despenca na sua mão.
Eu tinha trocado um jogo que dominava por um jogo onde eu era novato, e paguei a alíquota cheia.
O mais cruel não foi o prejuízo. Foi o tamanho do esforço gasto na direção errada.
No meu terreno, eu não pago imposto nenhum. Fora dele, a moda fica com quase tudo.
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A semana que desfez o estrago
Agora a virada. E ela foi rápida demais pra ser sorte.
Na semana seguinte ao palco vazio, voltei pro que sei fazer de olhos fechados. Sentei e escrevi uma sequência de e-mails pra minha newsletter. Sem palco. Sem produção. Sem três meses. Só eu, o texto e a minha lista.
Tic, tac.
Uma semana depois: vinte e cinco mentorias vendidas, de sete mil e quinhentos reais cada.
Faça a conta comigo, porque o contraste é a carta inteira. Três meses no que estava na moda: zero. Uma semana no que eu domino: o resultado que o evento prometeu e nunca entregou.
E não, eu não fiquei mais inteligente em sete dias. Eu só parei de pagar o imposto da moda. Voltei pro terreno onde cada hora de esforço vira resultado, em vez de evaporar.
A diferença não foi esforço. Foi direção.
Repara numa coisa que quase ninguém te fala. Eu não inventei uma habilidade nova. Reapliquei uma competência que já era minha, num terreno que já era meu. A virada não veio de aprender mais. Veio de parar de remar contra a minha própria corrente.
(reli este parágrafo três vezes e quase cortei, porque parece simples demais pra ser verdade. mas é justamente por ser simples que a gente ignora.)
A lei do elo mais fraco, pra entender por que o resultado vem de poucos acertos repetidos, não de muitos espalhados.
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Não existe caminho certo, existe o seu
Essa é a lição que eu queria ter aprendido sem pagar cento e vinte mil reais por ela.
Não existe "o caminho certo" do mercado. Existe o caminho certo pra você. O que é genialidade pra mim pode ser tortura pra você. O palco que me quebrou é onde outra pessoa brilha a vida inteira.
A pergunta que muda tudo não é "o que está funcionando?". É "o que só eu faço bem?". Uma te entrega ao espelho do mercado. A outra te traz de volta.
Dobre no que você é insuperável. Corte, terceirize ou ignore o resto.
E tem um segundo cuidado, tão importante quanto: escolha bem quem você ouve. Boa parte da moda que você persegue nasce na boca de gente que não faz o que prega. Eles vendem o mapa de uma estrada que nunca andaram.
“Você não ascende ao nível dos seus objetivos. Você cai ao nível dos seus sistemas.
James Clear
Seu sistema é o que você faz bem, repetido até virar reflexo. A moda é o que os outros fazem, copiado até você sumir no meio. Um te constrói. O outro te dilui.
A armadilha do nicho perfeito, pra parar de perseguir o que brilha e escolher o terreno que é seu.
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A moda que você corta essa semana
Não vou te deixar com um insight bonito que evapora até segunda.
Vou te deixar com uma ação. De escrita, porque é assim que a gente pensa melhor por aqui. Pega papel, ou abre uma nota em branco, e escreve duas linhas.
A primeira: uma coisa que você faz hoje por moda, porque o mercado faz.
A segunda: uma coisa que você faz hoje por genialidade, porque ninguém faz como você.
Olha pras duas. Sem se enganar, que é a parte difícil.
Pronto. Agora corta a primeira. Essa semana.
Não reduz, não "vê como fica". Corta. Libera o tempo e a energia que o espelho do mercado andava roubando, e joga tudo na segunda linha. No seu terreno. Onde você não paga imposto.
O mercado aplaude a moda. O resultado aplaude quem fica no seu jogo.
Eu precisei de um palco vazio e cento e vinte mil reais pra entender isso. É quase meia-noite agora, e acho que finalmente vou conseguir dormir, porque botei no papel a coisa que mais me custou caro aprender.
Você precisa só de duas linhas. E da coragem de cortar uma delas.
O caminho certo nunca esteve na moda. Sempre esteve em você.
Obrigado pela leitura!
Confira os destaques abaixo.
Forte Abraço,
Henrique Carvalho
Dono do próprio terreno.
P.S. Já segui moda de mercado achando que era estratégia. Era só medo de apostar no que é meu. Quando parei de seguir e comecei a cavar fundo, mudou tudo. Se quiser trilhar esse caminho, é só me chamar no WhatsApp: converse comigo aqui.

